AEC DISC artigo

Compreender como agimos é importante. Compreender o que nos leva a agir permite ir ainda mais longe.

No artigo “O que é o DISC?” percorremos as origens do modelo comportamental desenvolvido a partir dos trabalhos de William Moulton Marston e descobrimos as quatro grandes tendências representadas pelas cores Vermelho, Amarelo, Verde e Azul.

Mas compreender como uma pessoa tende a comportar-se é apenas uma parte da história.

O AEC DISC® permite ir mais longe, integrando três grandes referências — William Moulton Marston, Carl Gustav Jung e Eduard Spranger — para enriquecer a compreensão dos comportamentos, das preferências psicológicas e das motivações.

Assim, a questão deixa de ser apenas “qual é a minha cor?” e passa a ser muito mais interessante:

Como ajo, como me adapto e o que me motiva a agir?



Perfil DISC

1. Marston: compreender COMO tendemos a agir

A primeira base da metodologia encontra-se nos trabalhos de William Moulton Marston, psicólogo norte-americano cuja teoria contribuiu para o desenvolvimento do modelo comportamental DISC.

O modelo permite observar quatro grandes tendências comportamentais, que no AEC DISC® são representadas através de quatro cores.

🔴 Vermelho – Dominância: orientação para ação, desafios e resultados.

🟡 Amarelo – Influência: orientação para interação, comunicação e entusiasmo.

🟢 Verde – Estabilidade: orientação para cooperação, continuidade e harmonia.

🔵 Azul – Conformidade: orientação para estrutura, precisão, regras e qualidade.

Estas quatro dimensões ajudam-nos a compreender como uma pessoa tende a agir e a interagir com o seu ambiente.

Mas existe um princípio fundamental:

Não existem apenas quatro tipos de pessoas.

Todos possuímos as quatro cores, em intensidades e combinações diferentes.

Uma pessoa pode apresentar simultaneamente uma forte componente Azul e Verde, enquanto outra poderá combinar predominantemente Amarelo e Vermelho.

É precisamente a combinação entre estas tendências que começa a revelar a riqueza de um perfil comportamental.

Por isso, dizer simplesmente “sou Vermelho” ou “ela é Verde” é uma simplificação de uma realidade muito mais rica.

E é aqui que começamos a ir além das quatro cores.

👉 Quer aprofundar o modelo DISC de William Moulton Marston, as suas origens e o significado das quatro cores? Descubra o nosso artigo completo: “O que é o DISC?” →



Perfil jung

2. Jung: compreender o que mostramos… e o que permanece na sombra

A segunda grande influência do AEC DISC® encontra-se nos trabalhos do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung.

Jung não se limitou a observar comportamentos visíveis. Interessou-se pela forma como cada pessoa percebe o mundo, processa a informação e constrói a sua relação consigo própria e com os outros.

Em Tipos Psicológicos, descreveu quatro funções psicológicas — Pensamento, Sentimento, Sensação e Intuição — associadas a duas grandes atitudes: Extroversão e Introversão.

No AEC DISC®, esta contribuição está na origem das oito tipologias representadas na Roda e permite acrescentar uma leitura mais profunda à simples observação das quatro cores.

Mas a influência de Jung torna-se ainda mais interessante quando observamos a diferença entre aquilo que somos de forma mais espontânea e aquilo que mostramos ao nosso ambiente.

O Estilo Natural aproxima-se da nossa forma mais espontânea de funcionar. O Estilo Adaptado descreve, por sua vez, o modo como ajustamos e apresentamos o nosso comportamento em resposta ao contexto, aproximando-se daquilo a que Jung chamou persona ou máscara.

Esta adaptação não é necessariamente negativa. Faz parte da nossa capacidade de ajustar o comportamento às exigências de uma função, de uma equipa ou de uma situação. A questão importante é perceber até que ponto essa adaptação nos é natural e qual pode ser o custo de “parecer ser” de determinada forma durante demasiado tempo.

Jung introduz ainda outra ideia particularmente rica: a Sombra.

No perfil AEC DISC®, esta dimensão pode ser explorada através da leitura do Oposto: características menos desenvolvidas, ignoradas ou escondidas que podem representar simultaneamente uma dificuldade, uma fonte de conflito e uma oportunidade de desenvolvimento.

Assim, a leitura deixa de se limitar a perguntar “Como me comporto?” e abre novas questões:

  • Que parte de mim mostro espontaneamente?
  • Que parte adapto para responder ao meu ambiente?
  • Que comportamentos me exigem mais esforço?
  • Que características tendo a rejeitar nos outros porque estão menos desenvolvidas em mim?
  • Que recursos poderão existir precisamente nessa zona menos explorada?

É aqui que Jung acrescenta profundidade ao DISC: não apenas observar o comportamento, mas compreender a dinâmica entre aquilo que expressamos, aquilo que adaptamos e aquilo que permanece menos consciente ou menos desenvolvido.



Motivações de Spranger

3. Spranger: compreender PORQUE agimos

Chegamos agora a uma das dimensões particularmente interessantes da abordagem AEC DISC®.

Observar o comportamento ajuda-nos a responder a uma pergunta: COMO tende esta pessoa a agir?

Mas existe outra pergunta fundamental: PORQUE age desta forma?

É aqui que entram os trabalhos do psicólogo e filósofo alemão Eduard Spranger.

A metodologia AEC DISC® integra seis Motivações, que ajudam a compreender alguns dos valores e motores que orientam a energia de uma pessoa.

MotivaçãoO que tende a valorizar
CognitivaConhecimento, compreensão e procura da verdade
EstéticaHarmonia, equilíbrio, sensibilidade e beleza
UtilitáriaUtilidade, retorno, eficiência e rentabilidade
AltruístaAjuda, contribuição e atenção aos outros
IndividualistaAutonomia, poder e controlo sobre a própria vida
TradicionalPrincípios, referências e sistemas de valores

Estas Motivações são menos diretamente observáveis do que um comportamento.

Podemos observar o que uma pessoa faz. É mais difícil observar imediatamente o que atribui valor àquilo que faz.

E essa diferença é essencial.



Conportamento e motivacoes

4. O mesmo comportamento pode esconder motivações diferentes

Imaginemos dois managers extremamente orientados para resultados.

Observando apenas o seu comportamento, poderíamos encontrar muitas semelhanças entre ambos.

No entanto, um deles poderá procurar resultados porque valoriza fortemente a utilidade, a eficiência e o retorno obtido.

O outro poderá procurar exatamente o mesmo resultado porque valoriza sobretudo a autonomia, a influência e a capacidade de controlar o seu próprio percurso.

O comportamento observado pode ser semelhante. O motor pode ser diferente.

E o contrário também pode acontecer. Duas pessoas podem partilhar determinados valores e, no entanto, expressá-los através de comportamentos bastante diferentes.

É por isso que comportamento e motivação devem ser considerados como duas leituras distintas e complementares.

MarstonJungSpranger
COMO ajo?Como funcionam as minhas preferências?PORQUE ajo?
ComportamentosTipos psicológicosMotivações
DISC e quatro coresDinâmica psicológicaValores e motores

É o cruzamento destas diferentes perspetivas que dá profundidade à leitura AEC DISC®.



Roda AEC DISC

5. A Roda AEC DISC®: muito mais do que quatro quadrantes

Esta complexidade explica também por que razão a metodologia não se limita a apresentar quatro barras coloridas.

A Roda AEC DISC® permite representar visualmente diferentes combinações das quatro cores e relacioná-las com as tipologias derivadas dos trabalhos de Jung.

A Roda identifica 68 posições principais, organizadas em oito tipologias, permitindo visualizar tanto o Estilo Natural como o Estilo Adaptado.

E isto ajuda-nos a compreender um princípio fundamental:

Duas pessoas com a mesma cor dominante podem apresentar perfis bastante diferentes.

A intensidade das restantes cores, a sua posição na Roda, a relação entre Natural e Adaptado e as suas Motivações contribuem para uma leitura muito mais individualizada.

Perguntar “Qual é a sua cor?” pode ser uma forma divertida de iniciar uma conversa sobre comportamento. Mas está muito longe de resumir uma pessoa.



Perfil DISC

6. Afinal, o que nos permite explorar um Perfil AEC DISC®?

O Perfil AEC DISC® não mede as competências técnicas de uma pessoa e não pretende fornecer uma definição absoluta da sua personalidade.

É uma ferramenta de leitura comportamental e motivacional que permite explorar diferentes dimensões.

  • Estilo Natural e Estilo Adaptado;
  • posição na Roda AEC DISC®;
  • combinação das diferentes Cores;
  • influência das Motivações;
  • talentos que podem ser mobilizados;
  • estilo de comunicação;
  • forma como podemos ser percecionados pelos outros;
  • chaves de motivação;
  • tendências de gestão e liderança;
  • potenciais áreas de desenvolvimento.

Mas o verdadeiro valor não está apenas no relatório.

Está naquilo que fazemos com a informação.

Um perfil ganha sentido quando é colocado em relação com a pessoa, a sua experiência, a sua função, os seus objetivos e o contexto no qual está inserida.

O objetivo não é interpretar um gráfico isoladamente. É utilizá-lo para gerar consciência, diálogo e desenvolvimento.

7. Conhecer-se melhor para compreender melhor os outros

Conhecer o nosso perfil é importante. Mas o verdadeiro valor do AEC DISC® começa quando utilizamos esse conhecimento na relação com os outros e com a situação que estamos a viver.

É aqui que entra um dos princípios fundamentais da metodologia: a procura de uma eficácia ótima, através de um processo em quatro etapas.

1. Conhecer-se melhor

Tudo começa por nós próprios.

Compreender as nossas tendências comportamentais, os nossos pontos fortes, os nossos limites, as nossas motivações e a forma como tendemos a reagir permite-nos ganhar consciência sobre o impacto que podemos ter nos outros.

O objetivo não é mudar quem somos, mas perceber melhor como funcionamos.

2. Desenvolver a flexibilidade intrapessoal

Conhecer-se não significa ficar preso ao próprio perfil.

A segunda etapa consiste em aprender a ser mais flexível consigo próprio, utilizando os seus pontos fortes de forma adequada e reconhecendo também os seus limites.

Um ponto forte utilizado em excesso pode, por exemplo, tornar-se uma dificuldade.

A flexibilidade intrapessoal consiste precisamente em aprender a alargar o nosso repertório comportamental sem deixar de ser quem somos.

3. Compreender o outro e desenvolver a flexibilidade interpessoal

Depois de nos compreendermos melhor, podemos começar a observar o outro de forma diferente.

Porque o outro não comunica necessariamente como nós, não decide como nós, não reage como nós e não precisa de ser tratado como nós gostaríamos de ser tratados.

A flexibilidade interpessoal consiste em adaptar o nosso estilo, o nosso ritmo e as nossas prioridades às preferências do nosso interlocutor, mantendo a nossa própria identidade.

Não se trata de imitar o outro. Trata-se de criar as condições para que a relação funcione melhor.

4. Integrar a situação

Mas conhecer-se e compreender o outro ainda não é suficiente.

Existe uma terceira variável essencial: a situação.

O contexto, os objetivos, o tempo disponível, as responsabilidades de cada pessoa, o nível de urgência ou ainda o ambiente profissional podem exigir respostas diferentes.

Um comportamento adequado numa situação pode revelar-se completamente inadequado noutra.

A eficácia não está, portanto, numa cor ou num estilo considerado “ideal”. Está na capacidade de encontrar a resposta mais adequada entre Eu, o Outro e a Situação.

Conhecer-me → flexibilizar-me → compreender o outro → integrar a situação.

É aqui que o AEC DISC® deixa de ser apenas uma ferramenta de autoconhecimento e ganha todo o seu sentido na prática.

Para um gestor, significa adaptar a sua forma de comunicar, delegar, decidir ou acompanhar cada colaborador.

Para um comercial, significa compreender melhor o cliente e adaptar a sua comunicação à forma como este recebe informação e toma decisões.

Numa equipa, significa reconhecer diferenças, complementaridades e possíveis fontes de tensão.

Para um coach, significa acompanhar uma pessoa sem projetar sobre ela a sua própria forma de funcionar.

E este princípio não termina à porta da empresa. Também pode ajudar-nos nas nossas relações pessoais — com amigos, familiares ou qualquer pessoa cuja forma de funcionar seja diferente da nossa.

Porque compreender as diferenças é útil. Aprender a agir com essas diferenças é o que transforma essa compreensão em eficácia.



Porque AEC DISC

E depois do perfil?

Conhecer o nosso comportamento é interessante. Compreender as nossas motivações acrescenta profundidade.

Identificar a forma como nos adaptamos ao contexto aumenta a nossa consciência.

Mas existe uma última pergunta:

O que fazemos depois com essa informação?

É aí que começa a dimensão verdadeiramente operacional do AEC DISC®.

A metodologia pode ser aplicada ao desenvolvimento individual, liderança e gestão, comunicação, vendas, desenvolvimento de equipas, coaching, recrutamento e mobilidade profissional.
Veja aqui ás áreas onde o AEC DISC pode ajudar: Clicar aqui

Porque conhecer as quatro cores é apenas o início.
O verdadeiro valor está em aprender a utilizá-las para melhorar as relações, as decisões e a eficácia individual e coletiva.

Categoria:

Tags:

Ainda não há comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Categorias

Últimos comentários

Nenhum comentário para mostrar.